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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Um sol na terra



Cientistas chineses criam "sol artificial" na Terra
REUTERS 






 Poluição em Pequim na China, em 01 de dezembro de 2015: novas fontes de energia são fundamentais no país
Adrià Calatayud, da EFE


Pequim -- O experimento foi breve, não chegou nem a dois minutos, mas os 102 segundos que durou foram suficientes para transformar uma equipe de cientistas chineses nos autores do "Sol artificial" mais longo que já existiu na Terra.




Apesar de o "astro" criado ter sido efêmero, representou um grande avanço na longa corrida para tornar realidade um dos maiores desafios científicos do século XXI: imitar as estrelas e conseguir que a fusão nuclear seja uma fonte de energia viável.

O Instituto de Ciência Física da cidade chinesa de Hefei, no leste do país, realizou no dia 28 de janeiro esse experimento, embora a Academia de Ciências da China tenha demorado vários dias para divulgar a façanha através de um comunicado.

Utilizando o reator de fusão termonuclear EAST (sigla em inglês de Tokamak Superconductor Experimental Advanced), os pesquisadores elevaram a temperatura do hidrogênio para 50 milhões de graus celsius, triplicando a do núcleo do Sol.

Após esse aumento térmico, o hidrogênio passou de gás a plasma, o quarto estado da matéria (junto a sólido, líquido e gasoso), no qual as partículas se movimentam a tal velocidade e se chocam com tanta força que os elétrons se separam dos núcleos dos átomos formando um conjunto ionizado.

A novidade do experimento chinês, no entanto, não está nessa alta temperatura, mas no tempo que conseguiram mantê-la, já que em dezembro uma equipe do Instituto Max Planck da Alemanha conseguir atingir 80 milhões de graus em um teste similar.

Enquanto os cientistas alemães, e antes deles outros europeus, japoneses e americanos, consideraram um sucesso chegar ao pico térmico em uma fração de segundo, os chineses o fizeram durante por um minuto e 42 segundos.

Ao controlá-lo por tanto tempo demonstra uma evolução técnica que os aproxima do que a maioria dos especialistas veem ainda muito longe: a chegada de reatores nucleares de fusão capazes de imitar o processo que acontece no Sol de forma natural.

A fusão é uma reação química que consiste na união de dois átomos para formar um maior liberando uma enorme quantidade de energia no processo, mais inclusive que na fissão que se realiza nas usinas nucleares, onde se quebram átomos grandes em partículas menores.

Conseguir uma fusão nuclear estável e controlada é, por seu potencial como fonte de energia limpa e obtida de um recurso quase inesgotável, uma das grandes ambições da comunidade científica internacional.

Estados Unidos, União Europeia, China, Rússia, Japão, Índia e Coreia do Sul formaram uma aliança incomum para explorar a viabilidade da fusão de hidrogênio para a geração de energia no projeto ITER (Reator Internacional Termonuclear Experimental), que está sendo construído no sul da França.

O EAST chinês é uma espécie de versão em pequena escala do ITER e os dados de seu último experimento serão disponibilizados aos parceiros internacionais que participam desse projeto, segundo anunciou a Academia de Ciências da China.

O maior obstáculo da fusão para ser viável como fonte de energia, segundo os especialistas, consiste no confinamento do plasma durante um tempo suficientemente longo em um discreto volume e daí a importância da descoberta do Instituto de Ciência Física de Hefei, que chegou mais longe do que ninguém nesse aspecto.

A Academia de Ciências da China definiu seu resultado como um "marco" e reconheceu que, para consegui-lo, foi preciso superar muitos problemas físicos e de engenharia.

"Foi conseguido através de um aquecimento com um plasma confinado por uma supercondução magnética", ou seja, o plasma foi retido dentro do reator graças a um sistema de potentes ímãs, explicou à Efe Li Ge, pesquisador do Instituto de Ciência Física de Hefei.

Mais que gerar energia, a ideia dos cientistas chineses era se concentrar no requisito prévio: prolongar o tempo durante o qual se pode trabalhar com o plasma a temperaturas extremas.

Seu próximo objetivo é chegar aos 100 milhões de graus e preservá-los durante 1.000 segundos (16 minutos e 40 segundos).

Antes de chegar a esse ponto, a Academia de Ciências da China adverte que "ainda há muitos desafios científicos e técnicos" e Li acredita que o reator termonuclear terá que ser "atualizado".

Essas afirmações mostram que a corrida para reproduzir um Sol na Terra pode ser que demore anos, seguramente décadas, mas mostram que para os esforços de controlar a fusão nuclear dentro dos reatores já faltam 102 segundos a menos. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Novo arranjo comercial com 40% da riqueza do mundo.



Com tratado transpacífico, Mercosul e Europa podem acelerar acordo.



  • 06/10/2015 15h30
  • Brasília
Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil






O tratado transpacífico põe “boa pressão” para que haja acordo comercial mais rápido entre o Mercosul e União Europeia, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. ”Acho que eles [europeus] precisam também fortalecer esse eixo à medida que os Estados Unidos se fortalecem em uma área da América do Sul. Os europeus precisam responder a isso”, disse. 

Após quase cinco anos de negociação, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Estados Unidos e Vietnã anunciaram ontem (5) o chamado Tratado Transpacífico de Comércio Livre (TPP, sigla em inglês). O acordo já é considerado o maior tratado de livre comércio celebrado na história mundial e reúne 40% das riquezas do mundo.

Armando Monteiro informou que a troca de propostas entre o Mercosul e a União Europeia deverá acontecer até o início de novembro. Na quinta-feira (1º) e sexta-feira (2) passadas, as delegações do Mercosul e da UE encontraram-se no Paraguai para acertar os últimos detalhes.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera que o Brasil acelere as negociações comerciais, principalmente com a União Europeia, agora que foi fechada a Parceria Transpacífico. A CNI declarou também que acompanha com preocupação a criação do novo bloco porque o “acordo mostra que enquanto o mundo se fecha em grandes blocos, Brasil e Mercosul continuam isolados”.

O vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fábio Faria, disse que a urgência do acordo do Mercosul com a União Européia visa a evitar que o Brasil perca espaço no mercado internacional. Ele acrescentou que o atual momento do comércio internacional exige que Mercosul avance com as negociações com a Europa. 

“Lamentavelmente, estamos há quase 16 anos negociando sem chegar a um termo. Entendemos que esse é um mercado importante para o Brasil e continuamos a defender que nos aproximemos também dos Estados Unidos e possamos negociar acordos semelhantes com outros países”, disse o representante da AEB.

Para Fábio Faria, ainda é cedo para dimensionar o impacto do tratado transpacífico para o comércio exterior do Brasil. Observou que o acordo transpacífico precisa ser ratificado pelos congressos dos países integrantes do novo bloco e muitos detalhes não são conhecidos. “Acho impossível, neste momento, fazer um exercício para dimensionar os prejuízos decorrentes do tratado para o Brasil”.

Ele acrescentou que, para o Brasil, haverá menos prejuízos na parte de commodities [matérias-primas]. Segundo Fábio Faria, na parte de industrializados, “o Brasil poderá perder competitividade”. E acrescentou: “Os países que fazem parte do acordo terão benefícios que nós não teremos, pois haverá tarifa zero entre eles”, disse.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Argemiro Procópio Filho, criticou a demora do Mercosul em implementar acordos de livre comércio com a União Europeia. Para o Argemiro, é preciso mais audácia e rapidez. “O Brasil já tem muitos acordos com a União Europeia. O problema é a implementação. Acordo de intenção a gente já tem demais. É bom lembrar também que a implementação de acordos é feita sob o guarda-chuva do Mercosul e, por isso, estão muito devagar”.

Mesmo com a demora no acordo entre o Mercosul e a União Europeia, a Parceria Transpacífico pode ser boa para o Brasil na avaliação do professor Procópio Filho. Segundo ele, o país poderá se beneficiar porque tem projetos com os países da América do Sul, que passam a integrar o novo bloco. “Não é ruim para o Brasil, que é um país do Oceano Atlântico. Acho que é interessante porque estamos com alguns projetos”.

Citou, como exemplos, a construção de uma rodovia no Peru. E, com o Chile, a utilização de portos do Oceano Pacífico para transportar produtos agrícolas, como a soja, e minérios para a China.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Crise no Brasil. Tempestades se aproximam.

Kenarik Boujikian: O STF vai lavar as mãos diante do golpe de Cunha contra o povo e a Constituição? Ministros, coragem!

Esta materia circulou na net há 1 mês - em 7 de julho de 2015. De la até hoje a coisa piorou tanto que a presidente Dilma iniciou um rigido processo de recondução ao centro do ataque. Sabemos dos bandidos que habitm Brasilia e torcemos pela Presidente. Viva longa a Dilma. Do portal Geledes





Em 2003, na primeira edição do Brasil de Fato, Celso Furtado disse:  “Lula deve ter coragem se quiser conter a desagregação que ameaça o Brasil”.

Hoje, na minha maior e pura imaginação e com devoção e respeito ao professor,  diria que esta seria a mesma observação que ele faria aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em períodos de  esgarçamento da democracia, o Poder Judiciário  é colocado em xeque face ao seu papel de guardião da democracia. No período da ditadura de 1964, até certo momento, o STF foi um alento diante das violações,  mas com o AI-5, foi castrado na sua atribuição de órgão que compõe o sistema dos três poderes, independentes e harmônicos. Ministros fizeram suas escolhas e por esta razão alguns foram cassados ou se afastaram. São ícones da nossa história, como o Ministro Evandro Lins e Silva.

Hoje, como  nunca, é necessário que o STF seja a expressão maior de um poder da República, um órgão da soberania nacional,  entendido na perspectiva da subordinação ao povo, nos termos do ordenamento jurídico democraticamente construído.

A  “polis”  determinou na Constituição  Federal qual é a sociedade que almeja, sob quais princípios, fundamentos e patamares éticos. Nenhum  juiz  ou legislador  pode substituir essas diretrizes pelas suas.

Mas, no período de um mês,  tivemos  dois episódios,  da maior gravidade, que demonstram que os legisladores,  querem  tratorar a Constituição e substituir o povo, que deveriam representar.
Refiro-me às PECs da menoridade e do financiamento empresarial de campanha eleitoral, que instauraram um período sombrio no Poder Legislativo. Vários juristas já anteviam o agravamento desta situação ao subscreverem o Manifesto em Defesa da Constituição e do Parlamento, registrando a importância de manutenção de um Legislativo íntegro.
Nestas dois casos, o que tivemos foi  um golpe do legislativo contra o povo, dos mais abjetos, na medida que rompeu com a regra da Constituição, que só pode ser mudada dentro do estabelecido pelo sistema democrático.

A Constituição não permite a reapreciação de um projeto de lei em determinado lapso temporal , e assim o fez para a necessária estabilidade legislativa, fundamental para a  existência da democracia. O Poder Legislativo é um dos tripés do Estado Democrático de Direito, que só poderá existir  se mantida a dignidade do processo legislativo.

Pois bem,  o que foi feito pelo presidente da Câmara dos Deputados,  Eduardo Cunha, e muitos outros violadores do processo legislativo que o seguiram, diante de um resultado que não os agradava?  Maquiaram  uma proposta, dando o nome de “aglutinativa”, usando a proposta rejeitada, suprimindo parte dela, para colocar novamente em votação, o que é absolutamente vedado.

Admitir que projetos rejeitados  fossem recortados e novas emendas apresentadas, infinitamente, até que se chegasse ao resultado pretendido — sabe-se lá Deus com que tipo de persuasão! — não é o que determina e almeja a Constituição.

Cabe agora ao Supremo Tribunal Federal colocar as coisas nos trilhos, nos processos que lhe são apresentados.  Medidas devem ser tomadas rapidamente, pois o povo e a democracia não pode ficar à mercê do tempo ou mesmo da vontade particular dos ministros.

O Supremo Tribunal  Federal tem processos em suas mãos e todos cidadãos esperam uma resposta, com a urgência e magnitude de tudo o que está envolvido.

Em relação ao financiamento de campanha,  passou da hora do STF decidir a ADI  proposta pela OAB,  que discute o financiamento empresarial (Ministro Gilmar Mendes disse que devolveria em junho, mas não devolveu; e no mês de julho o STF não julga ADI em razão do recesso). Se o julgamento tivesse sido realizado,  o  Legislativo já saberia o patamar definitivo sobre o tema.
A urgência é aflitiva, pois em breve teremos eleição em todas as cidades e o Supremo precisa dizer que empresas não podem financiar campanha eleitoral, como já afirmou a maioria dos ministros. Se o STF não julgar,  coonestará com o que ocorre em relação ao sistema eleitoral, admitindo  que milhões e milhões  e milhões de reais sejam despejados pelas empresas nas mãos dos nossos futuros políticos.
Também necessário que a ação (mandado de segurança) referente à violação do procedimento legislativo seja julgado o mais rápido possível, para que diga, como órgão jurisdicional  que detém a última palavra,  se valeu ou não a segunda votação que foi feita.
No que diz respeito à PEC da menoridade, imprescindível que seja proposta ação perante o  STF .

O  Supremo Tribunal Federal é o responsável para que a Constituição Federal não se torne letra morta. A ele cabe a manutenção da higidez constitucional, a afirmação  do Estado Democrático de Direito,  o que não se  concretizará pela omissão, segurando  processos.

Muitas outras ações no STF estão paradas há muitos anos. Entre elas, a da demarcação de terras indígenas, cuja omissão  traz um flagelo inominável aos povos indígenas, e a que pede a realização de auditoria da dívida pública brasileira (como determinado na Constituição).

Diante desse quadro, preocupadíssima, pergunto: O STF vai lavar as mãos diante do golpe de Eduardo Cunha e muitos outros violadores contra o povo e a Constituição
Na democracia não dá para lavar as mãos.  É preciso  ter coragem.

Engana-se Eduardo Cunha se pensa que é dono do brinquedo, da bola. Ele não é dono do poder, o poder pertence ao povo.

Kenarik Boujikian, magistrada no Tribunal de Justiça de São Paulo e  cofundadora da Associação Juízes para a Democracia