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terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Primeiro processador supercondutor tem eficiência energética extrema

 Primeiro processador supercondutor tem eficiência energética extrema 

Primeiro processador supercondutor tem eficiência energética extrema


Parametron

Pesquisadores da Universidade Nacional de Yokohama, no Japão, desenvolveram um microprocessador usando componentes supercondutores, que se mostraram cerca de 80 vezes mais eficientes em termos de energia do que os componentes semicondutores de última geração usados nos microprocessadores mais modernos.

Não é nenhum segredo que componentes eletrônicos supercondutores são energeticamente mais eficientes, mas o balanço geral quase nunca é positivo, uma vez que se gasta muita energia para resfriar tudo - os supercondutores só funcionam em temperaturas criogênicas.

Para balancear melhor essa equação, Christopher Ayala e seus colegas trabalharam com uma estrutura eletrônica digital supercondutora chamada "parametron de fluxo quântico adiabático".

O parametron, um elemento de circuito lógico inventado por Eiichi Goto, em 1954, é essencialmente um circuito ressonante com um elemento reativo não-linear que oscila na metade da frequência de acionamento - essa oscilação pode representar um dígito binário pela escolha entre duas fases, deslocadas em 180 graus uma da outra. Os parametrons foram usados nos primeiros computadores japoneses, mas foram abandonados com o desenvolvimento do transístor.

Já um parametron de fluxo quântico é uma implementação do circuito usando junções Josephson, um arranjo no qual uma corrente elétrica flui indefinidamente - uma supercorrente - sem a necessidade da aplicação de uma tensão. O termo adiabático refere-se ao fato de que o circuito não troca calor com seu entorno.

Processador supercondutor

Ayala então usou essas junções Josephson supercondutoras para criar circuitos parametron, que por sua vez serviram como blocos de construção para um microprocessador de alto desempenho e que roda com um gasto mínimo de energia.

"Queríamos provar que o AQFP [parametron de fluxo quântico adiabático] é capaz de realizar computação de alta velocidade com eficiência energética e fizemos isso desenvolvendo e demonstrando com sucesso um microprocessador AQFP protótipo de 4 bits chamado MANA (Arquitetura Integrada Monolítica Adiabática), o primeiro microprocessador supercondutor adiabático do mundo," disse Ayala.

Primeiro processador supercondutor tem eficiência energética extrema
Ao contrário do que é comum em demonstrações tipo "primeiro do mundo", o processador é versátil, lidando com processamento e memória sem problemas.

 Os testes mostraram que o processador supercondutor é versátil, podendo ser usado em funções de processamento e de armazenamento de dados.

"Também mostramos em um chip separado que a parte de processamento de dados do microprocessador pode operar até uma frequência de clock de 2,5 GHz, o que o torna comparável às tecnologias de computação atuais. Esperamos inclusive um aumento para 5 a 10 GHz à medida que fazemos melhorias em nossa metodologia de projeto e configuração experimental," acrescentou Ayala.

Computações neuromórfica e quântica

E o protótipo também não deixou dúvidas quanto à sua eficiência energética geral, quando se leva em conta a energia necessária para manter o circuito supercondutor resfriado a temperaturas bem perto do zero absoluto.

"O AQFP é um dispositivo eletrônico supercondutor, o que significa que precisamos de energia adicional para resfriar nossos chips da temperatura ambiente até 4,2 Kelvin [-268,95 ºC] para permitir que os AQFPs entrem no estado supercondutor. Mas, mesmo levando em consideração esse adicional de resfriamento, o AQFP ainda é cerca de 80 vezes mais eficiente em termos de energia quando comparado aos dispositivos eletrônicos semicondutores de última geração encontrados em chips de computador de alto desempenho disponíveis atualmente," anunciou Ayala.

Agora que a equipe provou o conceito dessa arquitetura de processador supercondutor, eles planejam otimizar o chip e determinar sua escalabilidade e a velocidade de processamento que pode ser alcançada com ele.

E, além de construir microprocessadores, a equipe está interessada em examinar como os AQFPs podem ajudar em outras plataformas de computação, como na computação neuromórfica para inteligência artificial e na computação quântica.

 

Noticia: Inovação Tecnologica

 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Novo arranjo comercial com 40% da riqueza do mundo.



Com tratado transpacífico, Mercosul e Europa podem acelerar acordo.



  • 06/10/2015 15h30
  • Brasília
Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil






O tratado transpacífico põe “boa pressão” para que haja acordo comercial mais rápido entre o Mercosul e União Europeia, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro. ”Acho que eles [europeus] precisam também fortalecer esse eixo à medida que os Estados Unidos se fortalecem em uma área da América do Sul. Os europeus precisam responder a isso”, disse. 

Após quase cinco anos de negociação, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Estados Unidos e Vietnã anunciaram ontem (5) o chamado Tratado Transpacífico de Comércio Livre (TPP, sigla em inglês). O acordo já é considerado o maior tratado de livre comércio celebrado na história mundial e reúne 40% das riquezas do mundo.

Armando Monteiro informou que a troca de propostas entre o Mercosul e a União Europeia deverá acontecer até o início de novembro. Na quinta-feira (1º) e sexta-feira (2) passadas, as delegações do Mercosul e da UE encontraram-se no Paraguai para acertar os últimos detalhes.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) espera que o Brasil acelere as negociações comerciais, principalmente com a União Europeia, agora que foi fechada a Parceria Transpacífico. A CNI declarou também que acompanha com preocupação a criação do novo bloco porque o “acordo mostra que enquanto o mundo se fecha em grandes blocos, Brasil e Mercosul continuam isolados”.

O vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Fábio Faria, disse que a urgência do acordo do Mercosul com a União Européia visa a evitar que o Brasil perca espaço no mercado internacional. Ele acrescentou que o atual momento do comércio internacional exige que Mercosul avance com as negociações com a Europa. 

“Lamentavelmente, estamos há quase 16 anos negociando sem chegar a um termo. Entendemos que esse é um mercado importante para o Brasil e continuamos a defender que nos aproximemos também dos Estados Unidos e possamos negociar acordos semelhantes com outros países”, disse o representante da AEB.

Para Fábio Faria, ainda é cedo para dimensionar o impacto do tratado transpacífico para o comércio exterior do Brasil. Observou que o acordo transpacífico precisa ser ratificado pelos congressos dos países integrantes do novo bloco e muitos detalhes não são conhecidos. “Acho impossível, neste momento, fazer um exercício para dimensionar os prejuízos decorrentes do tratado para o Brasil”.

Ele acrescentou que, para o Brasil, haverá menos prejuízos na parte de commodities [matérias-primas]. Segundo Fábio Faria, na parte de industrializados, “o Brasil poderá perder competitividade”. E acrescentou: “Os países que fazem parte do acordo terão benefícios que nós não teremos, pois haverá tarifa zero entre eles”, disse.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Argemiro Procópio Filho, criticou a demora do Mercosul em implementar acordos de livre comércio com a União Europeia. Para o Argemiro, é preciso mais audácia e rapidez. “O Brasil já tem muitos acordos com a União Europeia. O problema é a implementação. Acordo de intenção a gente já tem demais. É bom lembrar também que a implementação de acordos é feita sob o guarda-chuva do Mercosul e, por isso, estão muito devagar”.

Mesmo com a demora no acordo entre o Mercosul e a União Europeia, a Parceria Transpacífico pode ser boa para o Brasil na avaliação do professor Procópio Filho. Segundo ele, o país poderá se beneficiar porque tem projetos com os países da América do Sul, que passam a integrar o novo bloco. “Não é ruim para o Brasil, que é um país do Oceano Atlântico. Acho que é interessante porque estamos com alguns projetos”.

Citou, como exemplos, a construção de uma rodovia no Peru. E, com o Chile, a utilização de portos do Oceano Pacífico para transportar produtos agrícolas, como a soja, e minérios para a China.