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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Processador fotônico faz inteligência artificial na velocidade da luz

 Processador fotônico faz inteligência artificial na velocidade da luz

Processador fotônico faz inteligência artificial na velocidade da luz
Todo o processamento é feito com luz, e os dados não são perdidos quando a luz é desligada.

Processador de luz

Uma equipe internacional de pesquisadores construiu um novo processador fotônico - no qual os dados são processados por luz, e não por eletricidade - que realiza operações de aprendizado de máquina em paralelo e muitíssimo mais rápido do que os chips eletrônicos.

As estimativas indicam que processadores baseados em luz para acelerar tarefas no campo da inteligência artificial permitirão que tarefas matemáticas complexas sejam processadas em velocidades extremamente rápidas, entre 1012 e 1015 operações por segundo). Chips convencionais, como placas gráficas ou hardware especializado, como o TPU (Tensor Processing Unit) do Google, são baseados na transferência eletrônica de dados, e são muito mais lentos.

O novo hardware fotônico é um acelerador para as chamadas multiplicações de matrizes, que representam a principal carga de processamento na computação das redes neurais, usadas no aprendizado de máquina.

As redes neurais são uma série de algoritmos que simulam o cérebro humano. Isso é útil, por exemplo, para classificar objetos em imagens e para reconhecimento de face e voz.

Os pesquisadores combinaram as estruturas fotônicas com materiais de mudança de fase (PCMs) como elementos de armazenamento.

Os PCMs geralmente são usados em DVDs e discos BluRay para o armazenamento óptico de dados regravável, mas têm sido também o material preferido na construção dos neuroprocessadores. No novo processador, eles permitem armazenar e preservar os elementos da matriz sem a necessidade de energia.

Processador fotônico faz inteligência artificial na velocidade da luz
Detalhes dos nós de processamento do chip, que usam materiais (PCM) que não perdem dados quando o processador é desligado.

 Rede neural convolucional

Para fazer as multiplicações de matrizes em vários conjuntos de dados em paralelo, a equipe usou um pente de frequência baseado em chip como fonte de luz, esta uma combinação tecnológica inédita. Um pente de frequência fornece uma variedade de cores de luz muito puras, que são processadas independentemente em cada canal do chip fotônico. Isso permite o processamento paralelo de dados, calculando em todos os comprimentos de onda simultaneamente - uma técnica conhecida como multiplexação de comprimento de onda.

Em uma das demonstrações, o processador de luz rodou uma rede neural convolucional para o reconhecimento de números escritos à mão. Essas redes são um conceito na área de aprendizado de máquina inspirado em processos biológicos. Elas são usadas principalmente no processamento de dados de imagens ou áudio, atualmente oferecendo as mais altas precisões de classificação.

"A operação convolucional entre os dados de entrada e um ou mais filtros - um destacador de bordas em uma foto, por exemplo - pode ser transferida muito bem para nossa arquitetura matricial. Explorar a luz para a transferência de sinal permite que o processador execute processamento paralelo de dados por meio da multiplexação de comprimento de onda, o que leva a uma densidade de computação mais alta e muitas multiplicações de matrizes sendo realizadas em apenas um tique do relógio. Ao contrário da eletrônica tradicional, que geralmente funciona na faixa baixa de GHz, as velocidades de modulação óptica podem alcançar velocidades até na faixa de 50 a 100 GHz," contou Johannes Feldmann, da Universidade de Munique, na Alemanha.

Isso significa que o processo permite taxas de dados e densidades de computação - ou seja, operações por área do processador - nunca atingidas antes

Processador fotônico faz inteligência artificial na velocidade da luz
Cada cruzamento das linhas de luz processa dados em uma cor diferente, um processo chamado multiplexação por comprimento de onda.

Inteligência artificial na velocidade da luz

Os resultados têm uma ampla gama de aplicações.

No campo da inteligência artificial, mais dados podem ser processados simultaneamente, economizando energia e obtendo resultados mais rapidamente. O uso de redes neurais maiores permite previsões mais precisas e até agora inatingíveis, além de análises de dados mais precisas.

Por exemplo, os processadores fotônicos viabilizam a avaliação de grandes quantidades de dados em diagnósticos médicos, incluindo dados 3D de alta resolução produzidos em métodos de imagem especiais.

Outras aplicações incluem a área de veículos autônomos, que dependem de uma avaliação rápida e precisa dos dados dos sensores, e de infraestruturas de TI, como computação em nuvem, que devem gerenciar espaço de armazenamento, poder de computação e aplicativos.

Além de pesquisadores da Universidade de Munique, estiveram envolvidas neste trabalho equipes das universidades de Oxford e Exeter, na Inglaterra, Pittsburgh, nos EUA, da Escola Politécnica Federal de Lausanne e do laboratório de pesquisa da IBM em Zurique, na Suíça.



quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Inteligência Artificial coloca constrangimentos à teoria da evolução

 Inteligência Artificial coloca constrangimentos à teoria da evolução

Inteligência Artificial coloca teoria da evolução em xeque
As cores representam os períodos geológicos desde o Toniano, começando 1 bilhão de anos atrás, em amarelo, até o atual período Quaternário, em verde. A transição da cor vermelha para a azul marca a extinção em massa do final do Permiano, um dos eventos mais perturbadores no registro fóssil.

Radiações e extinções

Os cientistas há muito acreditam que as extinções em massa de formas de vida na Terra criam períodos muito produtivos de evolução das espécies, ou "radiações", um modelo conhecido como "destruição criativa".

No entanto, uma nova análise com uma amplitude nunca feita antes mostrou resultados bem diferentes.

Cientistas do Instituto de Tecnologia de Tóquio usaram o aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência de espécies fósseis e descobriram que radiações e extinções raramente estiveram conectadas na história da vida na Terra.

Em outras palavras, as extinções em massa geralmente não causam radiações em massa, o que é um grande problema para o neo-darwinismo.

O problema do surgimento das espécies

A destruição criativa é central para os conceitos clássicos de evolução. Parece claro pelo registro fóssil que há períodos em que muitas espécies desaparecem repentinamente, e muitas espécies novas aparecem de repente.

O "de repente" sempre foi uma pedra no sapato dos teóricos, uma vez que o mecanismo de surgimento de novas espécies está longe de ser claro - sem teorias razoáveis para esse mecanismo até agora, os biólogos tipicamente deixam o problema em compasso de espera afirmando que novas espécies surgem "ao longo de milhões de anos", e não "de repente".

De fato, radiações (emergências de vida) de uma escala comparável às extinções em massa - que os autores deste novo estudo chamam de radiações em massa - têm sido muito menos estudadas do que os eventos de extinção, que estão claros no registro paleontológico.

Para tentar cobrir a lacuna, Jennifer Cuthill e seus colegas compararam os impactos da extinção e da radiação ao longo do período para o qual fósseis estão disponíveis, o chamado Eon Fanerozóico. O Fanerozóico (do grego "vida aparente") representa o período mais recente de 550 milhões de anos da história total da Terra e é significativo para os paleontólogos porque, antes deste período, a maioria dos organismos que existiam eram micróbios, que não formavam fósseis facilmente, o que torna o registro evolutivo anterior difícil de observar.

Inteligência Artificial coloca teoria da evolução em xeque
[Imagem: NASA]

Fazendo a teoria evoluir

A equipe usou um programa de aprendizado de máquina para examinar a co-ocorrência temporal de espécies no registro fóssil fanerozóico, examinando mais de um milhão de entradas em um enorme banco de dados público que inclui quase duzentas mil espécies.

Os resultados sugerem que a destruição criativa não é uma boa descrição de como as espécies se originaram ou foram extintas durante o Fanerozóico.

O método objetivo de inteligência artificial identificou nos dados os "cinco grandes" eventos de extinção em massa já descritos pelos paleontólogos, mas demonstrou que eles estão entre os 5% principais eventos de perturbações significativas em que a extinção ultrapassou a radiação ou vice-versa.

Na verdade, muitos dos momentos mais notáveis da radiação evolutiva ocorreram quando a vida entrou em novas arenas evolucionárias e ecológicas, como durante a explosão cambriana da diversidade animal e da expansão carbonífera dos biomas florestais.

O programa também identificou sete extinções em massa adicionais nunca descritas, dois eventos combinados de extinção em massa e radiação, e quinze radiações em massa - em outras palavras, a emergência de vida em massa superou as extinções em massa por um placar de 15 a 12.

Surpreendentemente, em contraste com as narrativas anteriores, que enfatizam a importância das radiações pós-extinção, o estudo demonstrou que as radiações em massa e as extinções mais comparáveis raramente estiveram acopladas no tempo, o que refuta a ideia de uma relação causal entre elas.

Estes são resultados marcantes para a teoria da evolução, trazendo desafios para biólogos e paleontólogos, que agora terão que se deparar com a época em que suas teorias precisam dar um salto evolutivo.


Noticia: inovaçãotecnologica

 



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Turing



Aprendizagem de Turing cria máquinas que aprendem
Com informações da Universidade Sheffield -  06/09/2016





Os Kilobots usados nos experimentos já haviam demonstrado inteligência artificial coletiva em experimentos anteriores. [Imagem: U. Sheffield]


Aprendizado de máquina
Pesquisadores que trabalham com enxames de robôs - grupos de pequenos robôs que trabalham de forma cooperativa - afirmam que já é possível fazer máquinas que aprendem como sistemas naturais ou artificiais funcionam apenas observando esses sistemas - sem precisar que os humanos lhes descrevam o que está ocorrendo ou lhes digam onde procurar padrões.

Se esse conceito de fato puder ser levado adiante, ele poderá viabilizar avanços na forma como as máquinas - robôs e computadores incluídos - inferem conhecimento e utilizam esse conhecimento para detectar comportamentos e anormalidades, seja no funcionamento de máquinas em um ambiente industrial, seja de seres vivos.

Quem garante todas essas possibilidades é um trio formado por Wei Li, Melvin Gauci e Roderich Gross, da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, que batizaram a nova forma de aprendizado de máquina de "Aprendizagem de Turing".

De acordo com o trio, com o aprendizado de Turing os computadores tornam-se capazes de prever, entre outras coisas, como as pessoas e outros seres vivos se comportam, o que pode melhorar as aplicações de segurança e tornar os jogos de computador mais realísticos.
Aprendizagem de Turing
A inovação apresentada pelo trio é inspirada na obra do pioneiro da computação Alan Turing, que propôs um teste para estabelecer quando uma máquina poderia se fazer passar por um ser humano sem que os seres humanos percebessem - o famoso teste de Turing.

Nesse teste, um interrogador troca mensagens com dois jogadores em uma sala diferente: um humano e uma máquina. O interrogador tem que descobrir qual dos dois jogadores é humano.

"Ao contrário do teste de Turing original, no entanto, os nossos interrogadores não são humanos, mas sim programas de computador que aprendem por si mesmos," explica Gross.

A equipe colocou um enxame de robôs sob vigilância e queria saber quais regras causavam seus movimentos. Um segundo enxame - formado por robôs que aprendem - também foi posto sob vigilância. Os movimentos das duas equipes de robôs foram registrados e os dados de movimentação foram mostrados ao programa interrogador.

"Sua tarefa é distinguir entre os robôs dos dois enxames. Ele é recompensado pela categorização correta dos dados de movimento do enxame original como genuínos e aqueles do outro enxame como falsos. Os robôs de aprendizagem que conseguem enganar o interrogador - fazendo-o acreditar que seus dados de movimento eram genuínos - recebem uma recompensa," continua Gross.

O resultado é que, depois de várias rodadas, o programa interrogador se torna capaz de monitorar movimentos de grupos e acertar quais são os movimentos genuínos, mesmo tendo de lidar com enxames de robôs que aprendem e se tornam cada vez mais craques em enganá-lo.
Máquinas que aprendem
A equipe afirma que a Aprendizagem de Turing tem a grande vantagem de eliminar a necessidade de que seres humanos informem aos programas o que e onde procurar em busca de padrões, como nas técnicas convencionais de inteligência artificial.

Imagine, por exemplo, que você queira um robô que pinte no melhor estilo Picasso. Um algoritmo de aprendizagem de máquina convencional avaliaria as pinturas do robô para o quão elas se assemelham a uma pintura de Picasso. Mas, para começar, alguém teria de suprir os algoritmos com dados que descrevam o que é considerado ser semelhante a um Picasso.

Já a aprendizagem de Turing não exige esse conhecimento prévio. Basta recompensar o robô se ele pintar algo que seja considerado genuíno pelos interrogadores. Assim, a Aprendizagem de Turing irá simultaneamente aprender como interrogar e como pintar.
Bibliografia:

Turing learning: a metric-free approach to inferring behavior and its application to swarms  Wei Li, Melvin Gauci, Roderich Gross - Swarm Intelligence
Vol.: 10: 211 - DOI: 10.1007/s11721-016-0126-1